Por que comidas calóricas são sinônimo de felicidade

10:13 | da Redação

Quando você tem um péssimo dia no trabalho, nada mais reconfortante do que que comer aquela coxinha gordurosa da cantina. Quando leva um pé na bunda, o primeiro passo é se afundar em uma barra de chocolate ou em um pote de sorvete. Mas por que usamos comida para fugir de sentimentos ruins?

Segundo um estudo divulgado recentemente na publicação Appetite, é uma questão de apego e memórias da infância. Pesquisadores das universidades do Sul e SUNY-Buffalo, nos Estados Unidos, fizeram dois experimentos com voluntários para entender melhor por que isso acontece. Primeiro, as “cobaias” tiveram que responder qual era seu tipo de apego, ou seja, se tinham habilidade para formar laços emocionais fortes, uma característica que é formada durante a infância, sob influência dos pais, ou se eram mais inseguras, com maiores dificuldades para formar esses laços. Em seguida, eles deveriam contar um episódio de conflito que viveram com um ente querido, e enquanto isso receberam pacotes de salgadinhos. Os que se apegavam mais facilmente descreveram o lanche como mais saboroso do que os outros.

Em uma segunda experiência, os voluntários descreviam em um diário se sentiram solitários, o quanto comeram e se ingeriram “comfort food” (comida de conforto, em português). O resultado é similar ao do primeiro experimento: as pessoas com laços emocionais mais fortes tinham uma tendência maior a buscar comidas de conforto quando a solidão batia.

Importante salientar aqui: para os autores do estudo, comida de conforto não é sinônimo de junkie food, a não ser que você tenha consumido porcarias em doses cavalares quando criança. Comidas de conforto são, na verdade, comidas que nos remetem a sentimentos agradáveis da infância, por exemplo a lasanha que sua avó fazia para te agradar ou a canja de galinha da sua mãe. “Você procura um conforto, que pode vir de sentimentos da sua infância e também porque esses alimentos são altamente recompensadores, eles trazem uma felicidade rápida, alivia qualquer estresse, cansaço ou dor”, disse a GALILEU Sophie Deram, nutricionista francesa naturalizada brasileira que estuda a neurociência do comportamento alimentar.

Por outro lado, um estudo publicado no ano passado no jornal Health Psychology concluiu que o conceito de comida de conforto é apenas uma desculpa para comer sua comida preferida. Os pesquisadores usaram cenas de filmes para deixar os voluntários mal humorados e então ofereceram seu prato preferido, uma comida neutra ou nada. O humor deles continuou o mesmo em todas as experiências, ou seja, o efeito foi nulo.

A fim de evitar todos esses mal-entendidos, Sophie defende o chamado “mindful eating” (comer consciente, em português), um conceito de origem budista segundo o qual é preciso estar presente no agora para lidar com o estresse, sem viver a ansiedade do futuro ou a depressão do passado. Isso também vale para a hora de comer. “Há cada vez mais estudos mostrando que comer mindful, isto é, comer consciente, quando você escuta a sua fome, percebe o gosto, o cheiro, o crocante, faz você parar para pensar, sair do automático de comer rápido pensando em outra coisa. Tudo isso é um processo, na verdade, para segurar o apetite e fazer a diferença entre a fome física, a de verdade, das suas células, e a da emocional”, explica a nutricionista. Conclusão: quando for pedir aquela massa à carbonara, pergunte a si mesmo antes se você está usando a comida como desculpa ou está apenas se sentindo sozinho. Se a resposta for negativa, aproveite cada segundo dessa deliciosa refeição.

Fonte: Galileu

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