Como funciona a injeção letal?


A injeção letal é um processo utilizado em 32 dos 50 estados norte-americanos que permitem a pena de morte, sendo que ela compreende o uso de um coquetel de medicamentos que mata lenta e silenciosamente o criminoso.

A ideia é que não haja dor e nem consciência do condenado quando os pulmões sejam paralisados e o coração comece a parar. Algumas falhas já aconteceram nesse processo, mas vamos tratar disso mais pra frente nesse artigo.

Estatísticas

Apesar de ter havido uma redução do número de países que mantêm a pena de morte, os Estados Unidos ainda continuam firmes com esse tipo de punição de criminosos. De acordo com os registros mais recentes disponíveis do Departamento de Justiça do país, uma média de 3.175 presos em 32 estados e em todo o sistema penitenciário federal está no corredor da morte.


Desde 1977, quando a pena de morte foi restabelecida a nível federal, mais de 1,2 mil presos foram executados, com 43 mortos apenas em 2012.  Apenas a China (2 mil), Irã (314), Iraque (189) e Arábia Saudita (90) executaram mais pessoas no ano passado do que os Estados Unidos.

O procedimento

Algumas semanas antes do “dia da morte”, o preso é entrevistado por um número de funcionários da prisão, incluindo psiquiatras, algum sacerdote ou pastor e assistentes sociais. Nos dias que antecedem a execução agendada, o preso tem o direito de visitas prioritárias para a família, conselheiros espirituais e representação legal.

No dia e na hora da execução, ele recebe roupas novas, é ligado a um monitor cardíaco e se alimenta com a sua última refeição, seguindo então para a câmara de execução para ser colocado e amarrado a uma maca.

Já no seu leito, o preso tem tubos intravenosos inseridos em duas veias utilizáveis ​​(uma adicional como segurança) e a administração de uma solução salina por gotejamento lento é iniciada. Logo após o detento ser autorizado a dizer as suas últimas palavras para as testemunhas sentadas junto à câmara de execução, o guarda responsável recebe a ordem de execução e o processo começa.

Coquetel mortal

O Protocolo de Chapman conta com um trio de drogas poderosas, sendo que cada uma é individualmente letal em sua dose separada e mais ainda quando são utilizadas juntas.


O processo começa com a administração de cinco gramas (14 vezes a dose recomendada de 0,35 g) de tiopentato de sódio. Este barbitúrico de ação rápida é normalmente usado como anestésico para induzir comas e faz com que o condenado fique inconsciente em dez segundos, em média.

Em seguida, 100 mg de brometo de pancurônio são injetados. Esta droga é um relaxante muscular não despolarizante que bloqueia a ação de um receptor muscular específico que, por sua vez, impede a contração das fibras. Esse efeito paralisa o diafragma e os pulmões, cessando a respiração do condenado.

Feito isso, o preso ainda recebe uma injeção de 100 mEq (miliequivalente) de cloreto de potássio. O potássio é um eletrólito utilizado pelos nossos corpos para ajudar a transmitir sinais elétricos entre nossos neurônios e músculos. Com essa quantidade, a substância provoca um desequilíbrio, induzindo à parada cardíaca.

Falhas

Apesar de ser um processo extremamente controlado com as suas doses e considerado o mais humano das execuções, o coquetel de três drogas pode falhar. Uma série de estudos sugere que, caso em algum procedimento a anestesia tenha sido administrada de forma inadequada, os presos poderiam estar conscientes, sofrendo com o coração e os pulmões parando de funcionar.

Além disso, a mistura de três fármacos também pode ser difícil de administrar, principalmente se o preso tem degeneração cardiovascular grave.

Outro problema pode ser a dificuldade de encontrar uma veia íntegra e de fácil acesso no preso, o que aconteceu em Ohio com Rommel Broom, em 2009, que sobreviveu à execução graças à falta de um acesso para injetar as substâncias.


Uma vez que os registros de assistolia (ausência de ritmo cardíaco) no eletrocardiograma são verificados, o médico então inspeciona o condenado e declara o horário oficial da morte.

Fonte: How Stuff Works

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