Você sabe por que a maioria das garrafas de cerveja é marrom?


Tudo bem que existem garrafas de cerveja de várias cores, como verdes e até transparentes, mas você há de concordar que a maioria delas é marrom. E você já se perguntou a razão disso? Miguel Ángel Bargueño, do portal El País, provavelmente entre um gole e outro em um boteco qualquer, deve ter se perguntado sobre essa inebriante questão, pois ele decidiu averiguar.

Cores

Uma das pessoas com quem Miguel conversou foi Ana Jiménez, especialista de comunicação da Heineken Espanha. De acordo com ela, quando a bebida é exposta à luz solar, as substâncias provenientes do lúpulo, aquelas que dão à cerveja seu tradicional sabor amarguinho, interagem e começam a afetar o gosto e liberar um aroma desagradável. Assim, para driblar esse problema, a solução encontrada foi envasar a bebida em garrafas de coloração mais escura.

Segundo contou Ana, no passado, o mais comum era que as cervejas fossem engarrafadas em recipientes de vidro verde. Entretanto, nos anos 30, a indústria cervejeira descobriu que o vidro marrom desempenhava melhor a função de “filtro”, absorvendo de forma mais eficiente a radiação que prejudica o aroma da bebida.


Só que, curiosamente, a Heineken continua usando os recipientes verdes, certo? Ana defendeu a escolha explicando que, para contornar a questão da incidência da luz solar, a companhia comercializa suas cervejas em pacotes de seis unidades que vêm embaladas em papelão. Mas Miguel não se contentou em apenas ouvir a fabricante — e foi atrás de mais informações.

A Ciência entra em cena

Ele descobriu que um estudo conduzido por dermatologistas brasileiros — olha os nossos pesquisadores aí, gente! — revelou que dos vidros coloridos disponíveis no mercado, os de coloração amarela, alaranjada, acobreada e marrom são os mais eficazes em bloquear a luz solar, enquanto que os de tom esverdeado são os mais fotorreceptores com relação aos raios UVA.

Focando mais especificamente nas cervejas, Miguel se deparou com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Emory, nos EUA, com garrafas de Corona — aquela cerveja mexicana que vem envasada em recipientes de vidro transparente, sabe? Os cientistas usaram seis unidades, das quais duas foram expostas diretamente à luz solar durante 40 minutos, duas foram expostas também, mas protegidas por papel alumínio, e outras duas foram colocadas para gelar em um refrigerador.


Dois dias depois, os pesquisadores ofereceram os objetos de seus experimentos a um grupo de voluntários e, segundo esse pessoal, as cervejas que foram expostas à luz solar apresentavam sabor e cheirinho meio esquisitos. As que foram protegidas com o papel alumínio também não agradaram muito ao paladar dos cervejeiros — e ainda bem que os cientistas colocaram duas garrafas na geladeira para que os voluntários pudessem “lavar” o gosto ruim da boca!

E essa não foi a única pesquisa sobre o tema que Miguel encontrou: teve um time de pesquisadores que fez um experimento semelhante, mas envolvendo cinco marcas de cerveja, e o resultado foi o mesmo, ou seja, as que ficaram expostas à luz foram rejeitadas pela galera.

Mas, afinal, o que acontece? Um estudo realizado por cientistas belgas — e que, até onde sabemos, não eram mestres cervejeiros — apontou que, quimicamente, o aroma ruim é resultado da fotólise de compostos presentes nos aminoácidos da cerveja e que basta expor a bebida por 10 ou 15 minutos à luz solar intensa para que o efeito desagradável comece a ser notado.

Fonte: El País

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